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Sejamos realistas…

Sejamos realistas…

| Desfavor | | 6 comentários em Sejamos realistas…

O Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira, 26, um projeto de lei que visa impedir a entrada de autoridades estrangeiras acusadas de “promover censura ao direito à liberdade de expressão a qualquer cidadão estadunidense, em solo americano”. LINK


Começamos pensando em falar sobre como teve muita reação histérica a isso, mas…


A reunião desta sexta-feira (28) entre o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, realizada para discutir uma saída para a guerra contra a Rússia terminou em bate-boca, situação poucas vezes vista entre chefes de Estado diante da mídia mundial. LINK


A linha condutora entre as duas notícias? Precisamos ser realistas. Desfavor da Semana.

SALLY

Tempo de leitura: 1 ano

Resumo da B.A.: ôxi… deu uma preguiça de ler…

POWERED BY B.A.

É hora do brasileiro se dar sua devida desimportância. O Brasil só é lembrado por gringos de primeiro mundo na hora de turismo sexual, carnaval ou quando fazem merda e irritam alguém.

A primeira notícia é justamente sobre essa última hipótese: alguém fez merda e irritou alguém do alto escalão do governo americano. É apenas isso o que está acontecendo.

Pensar que é mais do que isso é não saber seu lugar no tabuleiro de xadrez mundial, seja para quem acha que os EUA vão atacar o Brasil, seja para quem pensa que os EUA vão salvar o Brasil. Não vai. Nem atacar, nem salvar. Vocês não são assim tão importantes.

Os EUA estão cagando para o Brasil. Mesmo comprando um monte de porcaria barata (banana, café, soja), estão cagando. Não há nada que não possa ser comprado em outro shithole e, mesmo que houvesse, os EUA podem entrar e pegar o que eles quiserem, o maravilhoso exército brasileiro não poderia fazer nada além de pintar o meio-fio.

Não, os EUA não estão atacando o Brasil. No dia em que os EUA atacarem o Brasil, seja na via bélica, seja na diplomática, vocês verão como é diferente. E a razão é muito simples: os EUA não precisam atacar o Brasil. É possível conseguir o que quer que eles queiram sem ataque. Da mesma forma, não estão salvando o Brasil, eles realmente não se importam com o que aconteça no país, pelos mesmos motivos: consegue o que quer, independente do que esteja acontecendo.

Países que os EUA precisariam eventualmente atacar em caso de um impasse, pois são países que, com sorte, podem bater de frente: China, Rússia e uns poucos outros com armas nucleares. Não é o caso do Brasil. O Brasil é irrelevante para os EUA. Membros do Governo americano ou Juízes que tomam decisões envolvendo o Brasil mal sabem apontar o país no mapa. O máximo que acontece é o que estamos vendo agora: macaquito abusa e toma uma jornalada no focinho, tal qual se educaria um cão nos anos 80.

O Brasil não tem poderia bélico para peitar nem o Paraguai. O Brasil não tem relevância econômica para prejudicar ninguém com pressão comercial. O Brasil não tem nada além de batuque e coqueiro, pois sempre focou nas coisas erradas. Em vez de instruir seu povo, formar cabeças pensantes, desenvolver sua ciência e se industrializar, paga bolsa esmola, compra caminhão pipa para quem não tem água e compra voto com dentadura.

Além disso, basta conhecer um mínimo de história, do funcionamento do mundo e do Trump para saber que os EUA não saem fazendo pirotecnia. Quem faz isso é o Maduro, que todo dia pega microfone para ameaçar o malvado Elomócs. Isso é postura de republiqueta.

Quando falamos dos EUA, exigências são feitas entre quatro paredes, em reuniões confidenciais. Ameaça pública, comida de rabo e intimidação para todo mundo ver só acontecem em resposta a quem tenta crescer para cima deles. Jornalada no focinho, em caso de desobediência. Só.

E se eventualmente um dia houver alguma interferência no Brasil, não será para salvar ninguém, não será para ajudar nenhum político, não será para nada pensando no Brasil. Será para atender a um interesse deles, apenas deles. Ninguém vai salvar o Brasil ou o povo brasileiro, a não ser o próprio povo brasileiro, lamento informar. Não dá mais para ficar procurando salvador fora.

O que o Brasil está vendo é uma medida genérica, imposta a qualquer um que promova “censura à liberdade de expressão de um cidadão estadounidense em solo americano”. São eles escolhendo como vão punir quem sacanear um deles. Não são eles salvando ninguém nem atacando a ninguém.

E essa regra passa muito longe de violar a soberania do Brasil. Que um país possa decidir quem entra nas suas fronteiras é sagrado direito daquele país. O que violaria a soberania brasileira seria se os EUA quisessem mandar em quem pode entrar no Brasil. No país deles? Mandam eles. Não é apenas lógico?

Se ofender com isso é o equivalente mundial com se ofender por ser banido do Desfavor e ficar bradando que aplicamos censura e impedimos liberdade de expressão. Na rua, na sua casa, na casa do caralho, você fala o que você quiser. Na minha casa não, na minha casa eu decido quem entra. É realmente tão difícil de entender?

Então, menos. Bem menos. Muito menos. Quase nada. O que os EUA quiserem do Brasil, vão tomar, com um estalar de dedos. Esse teatrinho de político berrando que os EUA têm que respeitar a soberania nacional e que não vai permitir isso ou aquilo é apenas isso, um teatrinho mesmo. Em reunião a portas fechadas, o Trump manda pular e o Lula pergunta quão alto.

É bonito? Não. É escroto? Sim. É culpa do Brasil? Também. Sim, isso é culpa única e exclusiva do Brasil, que não fez o seu dever de casa para se tornar um país forte economicamente, relevante, com tecnologia de ponta, de primeiro mundo. O Brasil continua um shithole de terceiro mundo e shithole de terceiro mundo se submetem a países mais fortes. Não adianta reclamar. Ou melhora e adquire relevância, ou continuará sendo assim.

Quem quiser mudar essa dinâmica terá que fazer o país evoluir. Mas isso é um problema, pois se educar o povo, se o país realmente evoluir, nem fodendo que as pessoas votam nessas merdas que estiverem no poder nos últimos 20 anos. Mais fácil manter o país um shithole roubando de montão, bravateando que não vai permitir do EUA isso, que não vai permitir os EUA aquilo e, a portas fechadas, arriar as calças e permitir que o Trump rasgue até sua última prega. O que importa é parecer ser, não sei.

Nos EUA, mandam os EUA. Se querem impedir alguém que os irritou de entrar no seu território, é sagrado direito deles, não um ataque ao Brasil. “Ah mas eu não concordo”. Foda-se? Quem está com um pé na violação da soberania alheia é você, não os EUA, querendo dizer a outro país o que fazer em seu território. Em uma analogia simples, se alguém causa um mal a uma pessoa da sua família, você tem o direito de impedir que essa pessoa entre na sua casa. Eu não entendo por qual motivo isso é um conceito tão difícil de entender.

Não é ir na casa da pessoa e agredi-la. Não é prender a pessoa. É simplesmente proibir a pessoa de entrar na sua casa. Em qual mundo isso é um ataque, uma ameaça à soberania ou uma agressão? É muita vontade de ser vítima, é muita vontade de ser o centro das atenções, é muita vontade de se sentir ameaçado.

Em contrapartida, também é muita vontade de se sentir especial achar que os EUA estão atacando alguém para defender um Bosta com B maiúscula como o Bolsonaro. Não estão defendendo nem bolsonaro, nem a democracia, nem porra nenhuma que não seja o interesse deles. Calhou do interesse deles convergir com o seu? Foi apenas coincidência, eles acham você o seu político de estimação cidadão de segunda categoria, inferior, macaquinho.

Não sei o que é pior, o devaneio de se achar importante ou essa palhaçada de convencer o povo sobre a existência de um inimigo em comum, de um perigo iminente, de algo que ameaça o Brasil, que, por sinal, é estratégia de ditadura militar e é tipicamente usado quando a economia não vai bem, para as pessoas focarem nesse inimigo em comum e no medo que ele desperta e não na boa merda que é o governo.

Não há nenhuma defesa, não há nenhuma ameaça, meus amores, há um puxão de orelha, e muito do leve, em pessoas que irritaram o governo americano. É uma jornalada no focinho de um vira-lata sem educação que esqueceu qual é o seu lugar.

Quem quiser continuar se afogando em poça d’água que faniquite, achando que tem algo grave ou importante acontecendo. Não tem. Quem quiser continuar se sentindo especial e protegido pelos EUA que continue. Não está.

Usar um direito inerente à soberania do outro país para se vangloriar ou se vitimizar, para espalhar discurso de medo ou para polarizar só mostra como de fato são vira-latas que estão precisando dessa jornalada no focinho. Recomendo repensar isso aí, pois a próxima jornalada pode vir bem mais forte.

SOMIR

Tempo de leitura: hein?

Resumo da B.A.: Carnaval comendo solto e o paulista preocupado com a Ucrânia…

POWERED BY B.A.

Sally editou o texto dela para colocar as ideias que eu desenvolveria, então eu fiquei com a parte sobre o climão na Casa Branca. Se você quer saber onde está pisando, aqui vão meus lados nas duas questões militares internacionais mais famosas: sou anti-Hamas e pró-Ucrânia. E nos dois casos, pelo mesmo motivo, a ideia de que se precisamos escolher, sempre devemos escolher a civilização mais alinhada com as ideias modernas de direitos humanos e democracia.

Você não vai achar um lado perfeito para defender. O menos engessado para corrigir os erros que tem é quase sempre a democracia com alguma noção de direitos humanos. E eu trago esse ponto para a discussão de hoje porque o que Trump e seu vice fizeram com Zelensky é uma das maiores escrotices que eu já vi em política internacional.

Não que países tomem posições bem insensíveis em conflitos externos, não é obrigação dos EUA defender os ucranianos, muito menos aguentar o que acharem desaforo vindo do líder deles. O que eu vi de diferente aqui como um qualificador de maldade foi o espetáculo criado diante das câmeras.

Já tivemos outros casos de países extorquindo outros por proteção. O acordo bilionário que os chefes de Estado realizariam é bem explícito como tática mafiosa de Trump. Ele queria algo financeiro em troca do apoio. Não é bonito, mas por trás dos panos sempre aconteceu.

É o fato de terem feito isso para o mundo todo ver. Colocaram Zelenski numa armadilha com provocações, sabendo que o presidente ucraniano estava uma pilha de nervos. Quando ele deu a primeira brecha, Vance começou a quebrar todos os protocolos dando uma bronca pública. Trump sentiu o cheiro de sangue e cresceu para cima dele.

A meta não era ganhar condições mais favoráveis no acordo, era humilhar mesmo. Fazer Zelensky parecer um menino ingrato conversando com adultos. Eu falei com a Sally logo depois de ver a notícia, disse que enxergava a covardia que os americanos fizeram, mas que o ucraniano mordeu uma isca que não precisava.

Você pode até dizer que ninguém tem sangue de barata e aguentaria aqueles dois patetas tentando te dar lição de moral, mas o presidente de um país atacado por um dos maiores exércitos do mundo precisa dessa frieza. Não é negociável. Por causa do povo dele, e por causa dele também: se Zelensky ficar enfraquecido demais, ele pode “dar azar” como vários outros adversários de Putin.

Não adianta se medir pela régua de uma pessoa razoável quando você lida com alguém como Trump. Ele não se importa se parece alguém horrível ao chantagear alguém desesperado, ele se acha o máximo, esperto, grande negociador. E é aqui que eu gostaria de falar sobre uma possível virada de página na ordem mundial.

O mundo criado após a Segunda Guerra Mundial manteve um tanto da “honra” de reis e rainhas do passado com um verniz de humanismo na era de presidentes e primeiros-ministros. Tudo bem fazer acordos cruéis fora da vista do público, mas sempre com um verniz de respeito para não humilhar outros países.

Trump não liga mais para isso. Ele vai pisar na cabeça de qualquer um publicamente se sentir que tem a chance. Ele coloca a vontade de parecer um homem forte acima de qualquer convenção internacional. Eu repito, nem foi por estar tratando a Ucrânia como uma lojinha na rua controlada pela Milícia, porque isso acontece mesmo, foi por explicitar isso. Por não ter nenhuma restrição a ser visto fazendo esse tipo de chantagem.

Outro tema repetido: Trump parece não entender que as coisas são como são por um motivo. Países são controlados por pessoas, e pessoas perdem a cabeça. A ordem mundial de pelo menos fingir respeito por outros líderes existia para reduzir a chance de guerras por puro ego. A humilhação pública de Zelensky (você pode até achar que ele estava certo, mas foi a forma como foi tratado diante das câmeras que ficou humilhante) é uma porta que se abre.

Uma porta para uma era de egos maiores que países. Algo que historicamente colocou o povão em linhas de frente se matando sem sequer entender o que estavam disputando. Os EUA são poderosos o suficiente para conseguir humilhar outros países sem repercussões imediatas, mas prestem atenção na Europa começando a se mexer para não depender mais tanto dos EUA para proteção. Ao redor do mundo, muita gente sentiu a mudança dos ventos e começou a investir mais pesado em seus exércitos.

O presidente americano está mexendo com o mundo, e eu não sei se ele tem um plano maior que “levar vantagem”. Claro, com o exército ao seu dispor, Trump pode mais que todo mundo. E ele não tem nenhuma indicação de entender que com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Não responsabilidades morais de ser xerife do mundo, não são obrigados a gastar com proteção de outros países, mas como garantidor de uma ordem mundial planejada para reduzir o número de conflitos.

Tudo vai depender de como o suporte popular de Trump vai reagir a essa mudança de lógica global. A minha impressão pelas primeiras reações do seu gado são pessimistas: acharam lindo o que ele fez e repetiram o discurso plantado de falta de respeito de Zelensky. Os russos estão se divertindo vendo sua propaganda chegar tão pura nos EUA.

Isso só deve dar mais confiança para o laranjão continuar essa tática de fazer bullying com outros países. O americano médio ainda parece do lado dele nesse sentido, querendo ver seu país agindo sem as mãos amarradas nas costas por essa tal de ordem mundial. Mas ela existia por um motivo.

Triste ver a Ucrânia perdendo suporte e a Rússia sendo recompensada por uma clara transgressão das regras mundiais, mas não deixa de ser um aviso: os americanos eram como eram por escolha estratégica. Amarrando de volta com a primeira parte do tema descrita pela Sally, é até reconfortante ser um nada diante dos EUA, porque atraímos pouca atenção de um país que resolveu agir de forma mafiosa explicitamente.

E que dado o estado atual do mundo, pode continuar agindo assim por vários anos sem consequências sérias. Mas Zelensky disse algo que eu concordo: hoje as costas americanas são pacíficas. Mas nesse caminho, um dia não vão ser. Trump não liga, vai ter acabado seu mandato e provavelmente morrido antes do império ruir. Talvez esse seja o seu ponto mais forte agora: ele não liga se os EUA acabarem daqui a 5 anos, ele sai em 4.

E todo mundo tem que ter um plano. No caso do Brasil pode ser só se recolher à sua insignificância e não tentar bater no gigante orgulhoso. O mundo tentou uma fase de idealismo, mas ela pode estar acabando.


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