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Caros produtos.

Caros produtos.

| Desfavor | | 14 comentários em Caros produtos.

O governo nos disse que as coisas estão caras por causa das postagens da extrema-direita na rede social. Enquanto eles não forem proibidos de postar, temos que lidar com vários coisas ficando mais e mais difíceis de comprar. Sally e Somir imaginam um mundo onde podem se livrar de um dos custos cotidianos. Os impopulares fazem seus pedidos.

Tema de hoje: se você pudesse escolher receber grátis, para o resto da vida, um item alimentar que tenha em qualquer supermercado, qual seria?

SOMIR

Tempo de leitura: 6 meses

Resumo da B.A.: o autor é bem frescurento porque não usa óleo de soja para tudo, tem que valorizar o produto nacional.

POWERED BY B.A.

Eu vou de azeite de oliva. Talvez eu me arrependa por causa dos preços do café e do chocolate no futuro, mas por enquanto, é o item cotidiano mais difícil de substituir e cujo preço tem menos propensão de baixar.

Os preços mais que dobraram em poucos meses e não há previsão de retorno, até porque pelas leis da oferta e da procura, se você aceitou pagar mais caro uma vez, ninguém vai abaixar o preço para ser bacana. Todo produto que consegue aumentar suas margens de lucro tende a se manter nessas margens de lucro.

A produção mundial de azeite depende muito de poucos países onde a azeitona pode ser cultivada de forma eficiente. Lembrando que eficiência para o produtor agrícola é algo escalas de magnitude maior do que você plantando no seu quintal. É um misto de terra, clima e conhecimento técnico que permite as quantidades imensas produzidas pelos profissionais.

E nos locais onde mais se produzia azeite, Espanha e Portugal, as condições estão deixando muito a desejar. As mudanças climáticas derrubaram a eficiência da produção, reduzindo a oferta de forma assustadora. Os preços se adaptaram. E dessa vez não estamos falando de um ano ruim, estamos no meio de um aquecimento global constante, não há expectativa do clima voltar ao que era poucas décadas atrás, pelo menos não numa escala que caiba nas nossas vidas.

Já foi. Com ou sem canudo de plástico, já foi. Reduzir emissões pode reduzir o impacto, mas não mais eliminá-lo de vez. E com o que já aconteceu, o azeite explodiu de preço nas gôndolas do supermercado. Se acharem um jeito de compensar e voltar a produção aos valores antigos, azar, porque já aceitamos pagar mais caro.

Os produtores da matéria-prima vão se acostumar com esse preço, os produtores e comerciantes do produto pronto também. Uma verdade inconveniente é que boa parte da cadeia produtiva do mundo entrega produtos mais baratos do que deveria: em cada coisinha que está na sua mesa alguém aceitou ser explorado em alguma etapa entre plantio e comercialização. Tudo tem potencial de ficar muito mais caro, basta uma desculpa.

Então, eu não enxergo um futuro em que o azeite baixe de preço. E acho que ele vai ser mais afetado que outros produtos. Porque não é um produto de consumo de massa no mundo todo, como café e chocolate. Existem incentivos fortes para cobrir a produção em outros locais que vão se tornar mais eficientes com o aquecimento do planeta. E no caso do ovo, é algo tão básico que o mercado é regulado por bem ou por mal: nenhum governo vai querer ficar com esse problema na mão.

E aí a questão da substituição ou redução: azeite não tem substituto ou redução de consumo. Ou você consome ou você não consome. Gostaria de ter o paladar estragado de não perceber diferença em azeite promíscuo (não virgem ou misturado), porque não seria obrigado a reduzir outros custos da vida para manter o consumo básico.

Outros óleos têm gosto de parede suja, Gezuiz tenha piedade da alma que coloca óleo de soja na salada, porque ela vai para o inferno e nem vai perceber a diferença. Outros óleos só para frituras, e mesmo assim, espero que você goste de peixe, porque sempre fica uma nota escamosa no cheiro de coisas fritas em óleos baratos.

Sem contar que é uma das coisas nessa vida que se consumida em parcimônia, é positiva. Colesterol bom, antioxidante e anti-inflamatório. São década de testes sem a montanha russa de conclusões sobre ser saudável ou não, como fazem com o ovo, café e chocolate. É consistentemente colocado do lado bom da alimentação, e é muito raro um médico ou nutricionista te dizer que isso não pode mais. É para tomar um copo de azeite por dia? Claro que não. Mas é o tipo da coisa que mal não faz se você tiver um mínimo de controle.

Como o preço não deve baixar mais, como não existe alternativa real e como até existe o risco real de começar a faltar no mercado (pode ser mais lucrativo produzir metade e cobrar mais que o dobro), eu aposto minhas fichas no azeite. Até porque, se algum dia eu quiser, posso revender numa boa, ele dura muito!

SALLY

Tempo de leitura: 20 minutos

Resumo da B.A.: se for para escolher um alimento eu escolho leite cru, bebida de macho

POWERED BY B.A.

Se você pudesse escolher receber grátis, para o resto da vida, um item alimentar que tenha em qualquer supermercado, qual seria?

Não preciso nem pensar. Ovo.

Ovo para mim é grande coringa alimentar, pelos mais diversos motivos. Acredite, você quer escolher uma proteína, é o que mais vai te beneficiar. E se falamos em proteínas, ovo e é algo que tem em qualquer supermercado, ao contrário de carnes.

Ovo é um alimento saudável e com alto valor nutricional. Já demonizaram muito o ovo, mas felizmente essa difamação já foi desmentida. Comer ovo é algo indicado para todas as idades. Até para cães é indicado. É um alimento que faz bem e é muito rico nutricionalmente: contém proteínas, gorduras, vitaminas e minerais.

Também é um alimento indispensável para quem treina, se exercita ou pratica esportes. Inclusive tem nutrientes que só o ovo tem. Até podem ser adquiridos de forma artificial, mas custa caro. Não pelo preço, mas pela dignidade. Se você quer manter um relacionamento baseado em respeito e confiança, não pode tomar Albumina, a menos que seu parceiro tenha perdido o olfato e a audição.

Ovo é fácil de preparar, por mais exausto que você esteja, um ovinho mexido é 30 segundos e está pronto para comer. Pode ser preparado das mais diferentes formas e quase todas são fáceis: omelete, ovo cozido, ovo pochê, etc. Pode ser preparado no fogão, no formo, no micro-ondas ou até em água quente.

Ele serve para preparar basicamente qualquer coisa: vai na salada, vai como acompanhamento, vai como proteína principal do prato, prepara massa, prepara sobremesa… ovo é vida. Além disso, um ovo por cima de qualquer alimento te dá saciedade. Ele dá um up em tudo, desde o miojo até a salada.

Se você for bom de cozinha, prepara quase qualquer coisa com ovo. Isso significa que ao ter ovos de graça, você tem um desconto em quase tudo que preparar: seu bolo fica mais barato, seu empadão fica mais barato, seu macarrão fica mais barato. É uma forma de ter um alívio no orçamento e não precisar comer todo dia a mesma coisa. Ovo vira basicamente o que você quiser.

Até para isso ele serve: mesmo quem não gosta do sabor do ovo consegue comer ovo, pois ele se camufla e não deixa um gosto marcante. Quem consegue identificar gosto de ovo em uma mousse? Ou em um macarrão? Ou em um bolo? O ovo acompanha o sabor do que você colocar, ele não é um pimentão ou uma azeitona, que contamina tudo onde encosta. Ele se adapta.

“Mas Sally, o azeite é mais caro”. Ok, uma garrafa de azeite é mais cara que uma caixa de ovos mas… quanto dura cada um? Uma garrafa de azeite dura pelo menos um mês, se não mais. Uma caixa de ovos dura bem menos. Se você cozinha ativamente, você sabe que usa ovo para tudo. Conte o quanto em reais você gasta por mês em ovo e verá que pode ser bem mais do que uma garrafa de azeite.

Sem contar que, pior dos cenários, dá para comer sem azeite. Se faz um bom molho para salada com iogurte, com maionese, com limão, com especiarias, com vinagre ou com muitas outras opções. Sem ovo, é bem difícil cozinhar. Sem ovo não tem milanesa, sem ovo não tem quiche, sem ovo não tem nem bolo de caixinha. “Mas Sally eu só como miojo”. Melhore. Agora senta lá no cantinho e deixa os adultos conversarem.

Não é só sobre o preço do produto. É sobre o quanto dele você consome mensalmente, é sobre sua versatilidade, é sobre custo-benefício. Não adianta pedir leite condensado vitalício, depois do terceiro mês você não vai mais aguentar comer brigadeiro, estamos falando de algo para o resto da vida.
E justamente por estar falando de algo que é para o resto da vida, não faz sentido escolher o que é mais caro nos dias de hoje. Durante toda sua vida, o preço de tudo vai oscilar, muitas vezes atrelado a fatores imprevisíveis. Não dá para fazer essa escolha pensando em como “de dar bem” e escolher o produto mais caro. O produto mais caro hoje pode ser o mais barato amanhã. O critério preço não é o mais inteligente aqui.

O critério é: um alimento que seja versátil, que tenha bons valores nutricionais e que não seja nocivo à sua saúde. E, dentro da lista de alimentos que se encaixam nessas categorias, o que melhor me atende é o ovo. Talvez você prefira outro, eu respeito. O que eu não respeito é você queimar essa chance com algo que te faça mal ou com algo menor, como um condimento. Gastar essa oportunidade para colocar um fiozinho de azeite na salada? Tem certeza?

“Mas Sally, eu sou alérgico a ovo”. Ok, escolhe qualquer outro alimento rico nutricionalmente e versátil. Algo fácil de preparar e que dê saciedade. Algo que possa virar um almoço, um jantar ou uma sobremesa. Só não escolha um tempero, gastar um desejo desse com supérfluo que você compra uma vez por mês é sacanagem.


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