
Solitude.
| Sally | Des Aprenda | 14 comentários em Solitude.
Você sabe o que é solitude? Este termo é usado para definir uma situação de isolamento voluntário, no qual a pessoa, por escolha, não está em contato com mais ninguém e usufrui disso de forma positiva para sua evolução pessoal. Ao contrário da solidão, que está associada a dor e tristeza, a solitude gera sentimentos positivos: alegria em estar sozinho, em poder se conectar consigo mesmo, em ter oportunidade de olhar para dentro, se conhecer melhor e desfrutar da sua própria companhia.
O brasileiro precisa aprender muito sobre solitude e seu valor. Não é concebível uma vida saudável quando falamos de saúde mental sem momentos voluntários e bem aproveitados de solitude. No Brasil, parece que a maior parte das pessoas só fica sozinha quando não tem opção e isso tem um custo alto para sua vida: muitos progressos de autoconhecimento, evolução pessoal e amadurecimento não podem ser alcançados em grupo, só podem ser alcançados em solitude.
Todos os dias vemos alguma notícia falando da importância da socialização, sobre pessoas que vivem menos por estarem sozinhas, mas dificilmente vemos uma notícia que explique, inclusive com embasamento científico, a importância de se recolher e estar em quietude consigo mesmo. Provavelmente não convém noticiar esse tipo de coisa, pois uma pessoa recolhida, desfrutando de si mesma, não consome e a última coisa que a mídia quer é gente que não consome nada (inclusive seu conteúdo).
Porém, contra tudo que te vendem, a solitude é fundamental para sua saúde mental e evolução pessoal. E como ela é muito pouco falada, boa parte das pessoas sequer consegue entender seu significado. Por isso, hoje resolvemos falar um pouco mais sobre o assunto e sobre como tirar o melhor proveito desse momento.
Não basta apenas estar sozinho. Uma pessoa sozinha que se anestesia com bebida, com jogos eletrônicos, com redes sociais, com seriados ou com qualquer outro estímulo que desvie a atenção de si mesma não está em solitude e não alcança os benefícios que ela pode proporcionar.
Solitude é se isolar voluntariamente com a intenção de dedicar um tempo e dar atenção a você mesmo (e a mais nada além disso). É momento de olhar para dentro, pensar, refletir, meditar sobre o que você é, suas escolhas de vida e onde você pode melhorar. A forma pela qual cada um vai fazer isso é livre, desde que esteja voltado para si mesmo, para o seu interior (e não para nada externo). Pode ser se fazendo perguntas, relembrando escolhas, se analisando, observando seus sentimentos, fazendo uma prece ou simplesmente meditando, só para citar alguns exemplos.
Não é sobre fazer isso “no tempo que sobra”, por exemplo, aproveitar que vai tomar banho para pensar um pouco. É optar por separar um tempo da sua vida exclusivamente para isso, com prazer e alegria em fazê-lo, e se dedicar a você, sem qualquer estímulo externo, inclusive sem água e sabão. A atenção é total em você mesmo. É um tempo sagrado para você passar com você mesmo.
E se você não gosta da ideia de ficar com você mesmo, então temos um grande problema aqui que precisa ser resolvido.
Se refletir sobre sua vida, suas conquistas, seus erros, suas decisões, seus comportamentos e até sobre quem você é te é desagradável, é sinal de que você não está feliz com você mesmo.
Imagina que inferno viver sem estar feliz consigo mesmo! Não há saúde mental possível e não há relacionamento saudável possível com outras pessoas, pois se você não está feliz com você mesmo, não poderá dar nada que preste para os outros nem se achará merecedor de nada que preste. Mais do que nunca, é preciso se recolher, olhar para dentro e corrigir a rota neste caso.
Estar em silêncio, sozinho consigo mesmo, olhando para dentro, olhando para si mesmo não é crucial apenas para sua saúde mental (e, por consequência, saúde física). Também é fundamental para melhorar sua vida, melhorar sua criatividade, melhorar sua produtividade, colocar pensamentos em ordem, entender suas emoções e fazer escolhas melhores. E isso impactará de forma positiva todas as áreas da sua vida, desde a amorosa até a financeira.
É um processo natural e necessário ao ser humano, mas, por diversas circunstâncias e interesses, cada vez mais somos levados a pensar que é perda de tempo, que dá para fazer isso concomitantemente com outras tarefas ou até que isso não é necessário. É necessário sim, e é uma pena que isso não nos seja ensinado desde pequenos, tanto o fato de ser necessário, como ajuda em como executá-lo.
Como tudo nessa vida, solitude requer prática. Ninguém que comece a fazer do nada vai conseguir executar direito, muito menos ter resultados maravilhosos. É o exemplo que sempre damos aqui: ninguém chega na academia levantando peso de 100kg, você começa com 10kg, no mês seguinte passa para 20kg e vai se fortalecendo, aumentando gradativamente. O mesmo vale para a mente. Uma mente que não esteja treinada nada pode fazer, já diziam os sábios.
Mas, nesse mundo imediatista, ninguém parece querer construir nada, a pessoa tenta e se não vier um resultado imediato, decreta que não funcionou “para ela”. Adoro esse conceito de “não funcionou para mim”, principalmente quando aplicado a algo que funciona para qualquer pessoa pelo simples fato dela ser humana. É se achar muito especial, não é mesmo?
A pessoa é o floquinho de neve especial, o único ser humano do mundo para o qual isso não funciona. Fazem isso com solitude, com terapia, com meditação e com qualquer atividade que demande tempo para mostrar resultado. Não caia nessa cilada de achar que o que não tem resultado imediato não funciona. Muito pelo contrário, é hora de inverter esse jeito de pensar e começar a desconfiar do que tem resultado imediato, pois isso sim costuma ser uma furada.
Outra armadilha comum é associar o fato de estar sozinho como algo ruim ou uma perda de tempo. Estar sozinho sempre, completamente isolado, é de fato muito ruim para sua saúde física e mental, mas não estar sozinho consigo mesmo nunca é igualmente ruim. Caminho do meio, já diziam os sábios.
Então, o ponto de partida para você se beneficiar desta ferramenta que, além de ser gratuita ainda gerar infinitas melhoras na sua vida e saúde, é entender sua importância. Assim, você pode se colocar em solitude com o mindset correto: com alegria, feliz por estar fazendo isso por você mesmo, com orgulho por estar fazendo isso por você mesmo, como um ato de autocuidado.
Autocuidado. É impressionante como essa palavra vem sendo estraçalhada pela mídia e pelas redes sociais. Tudo que querem te empurrar para consumir é autocuidado. Veja bem, eu não sou hippie, eu consumo bastante, eu gosto de futilidades como skincare, maquiagem, tratamento para o cabelo. Mas nada disso é autocuidado. É creme, é cosmético, é estética, é produto de beleza.
Hora de prestar muita atenção no que te vendem como “autocuidado”, pois é muito mais provável que você compre algo se acreditar que está cuidando de você mesmo(a). E um shampoo que elimina pontas duplas não está cuidando de você, acredite. Está apenas melhorando sua estética. O buraco do cuidado, meus amigos, é muito mais embaixo.
Salvo raríssimas exceções, geralmente vinculadas a problemas de saúde, nada que você compra está cuidando de você. E nem por isso devemos deixar de comprar coisas, compre o que você quiser, apenas mantenha-se consciente de que consumo, como regra, não é autocuidado, é estética, é status, é um mimo. Para cuidar de você o primeiro passo é se conhecer, se entender e se respeitar. E isso nenhum creme te dá. A boa notícia é: não custa nada, é de graça.
Uma vez que se compreende que a solitude é algo bom, é algo necessário e é algo que vai melhorar sua vida em diversos aspectos, também fica fácil entender que, quem decide não dedicar nenhum tempo a ela está claramente se sabotando. E não é bom viver se sabotando, é uma vida bastante sofrida. Portanto, se esse é o seu caso, procure ajuda de um profissional, lembrando que coach, astrólogo, cartomante e conselho de amigos não são vias profissionais.
Dito isto, muita gente tem dúvidas sobre como começar. A resposta é: desde que você dedique um tempo reflexivo a você mesmo, sozinho e sem qualquer distração externa, faça da forma como for mais agradável e produtivo. Não há regras, é possível simplesmente deitar no sofá e pensar na vida, preparar um belo café e beber na sua companhia enquanto reflete voltado para dentro ou qualquer outra forma que transforme esse ritual em algo bom, feliz, agradável.
Como já foi dito, é uma construção, é algo que precisa ser exercitado até que os resultados apareçam, então, não é razoável esperar um grande insight ou mudança imediata. Pode até acontecer, mas não costuma ser a regra. Nem tudo na vida é imediato, muitas coisas necessárias, fundamentais para o seu bem-estar, demandam tempo e comprometimento. Quem não tem esse entendimento vai bater muita cabeça na vida e sofrer bastante antes de conseguir amadurecer e ter uma relação saudável consigo mesmo e com os outros.
Também é normal que, por não exercitar imersão, reflexão e o estar consigo mesmo a pessoa tenha dificuldade nesse processo. Uma pena, isso deveria ser ensinado até nas escolas. É normal ter dificuldade, mas também é normal que ela seja superada com o tempo.
É tudo uma questão de educar sua mente para isso e de se conhecer e entender o que melhor funciona com você. E você só pode educar sua mente praticando. Você só pode se conhecer testando diferentes formas e observando qual é a que mais te agrada ou dá resultado. Quem te vende fórmula pronta te engana, só você pode definir o melhor caminho. Uma fórmula é muito mais agradável, por ser mais fácil, mas é mentira.
Então, tenha em mente que os resultados não virão imediatamente e que, para tirar o melhor proveito da solitude você precisa praticar e entender quais são os melhores caminhos para você se observar, se conhecer, se entender. Só não vale roubar e colocar estímulos externos pois “foi o que mais deu resultado”. A solitude é você com você mesmo.
Talvez para muitos isso soe como um esforço. E talvez no começo de fato seja, mas, com o passar do tempo (segundo a ciência, após três meses internalizamos quase tudo como um hábito) deixa de ser um esforço e passa a ser um prazer, uma rotina, um momento inerente à sua vida. Quer coisa melhor do que conseguir alegria, felicidade e prazer em uma rotina que, além de gratuita, só depende de você?
E ao surgirem os primeiros resultados a sensação de esforço também diminui, afinal, quando você percebe sua vida melhorando passa a ser um investimento em você mesmo e não um esforço.
Não se engane pensando na solitude como uma tortura, algo chato ou algo sofrido. Não se sabote se convencendo disso. Solitude não é “se obrigar a ficar sozinho”, é uma escolha consciente de estar sozinho e desfrutar desse momento, sem estímulos externos, utilizando-o para autoconhecimento, reflexão e auto-observação.
E os resultados não são “apenas” melhora na saúde física e mental, você também ganha todos os desdobramentos disso, inclusive um aumento na produtividade, energia recarregada e uma vida mais tranquila, pois fatalmente ocorrerão mudanças dentro de você que farão com que você se coloque em menos situações de estresse, conflitos e problemas.
Boa parte da resistência em olhar para dentro vem do medo do que vai encontrar. Não precisa ter medo, o que quer que você encontre, você pode trabalhar, mudar, melhorar. Medo tem que ter é de ficar acomodado em uma situação que não é boa para você ou ignorando coisas que não são do seu agrado.
Outro equívoco comum é pensar que, uma vez resolvidas as questões que te afligiam, não é mais necessário dedicar este tempo a você mesmo. Somos pessoas em constante transformação, em constante aprendizado, em constante mudança. Olhar para dentro faz parte desses processos e sempre será necessário se quisermos estar conectados conosco, conscientes e com saúde física e mental. Desconexão de si mesmo gera alterações bioquímicas no cérebro que podem abrir portas que nunca mais se fecharão, como depressão ou síndrome do pânico. Vale investir um tempo do seu dia para evitar esse tipo de problema, certo?
Não é opcional, tem que ser feito se você quiser uma vida com menos drama, estresse e problemas. Não tem como cultivar um relacionamento saudável com mais ninguém enquanto você não cultivar um relacionamento saudável com você mesmo. Não podemos entregar o que não temos ou que não sabemos como conseguir.
E não tem como cultivar um relacionamento saudável com você mesmo enquanto você não se conhecer, se compreender e se respeitar. E não tem como se conhecer ou compreender se não for em solitude. Se conhecer pelo olhar de terceiros é uma das maiores furadas nas quais você pode se colocar.
Então, da próxima vez que olhar para uma pessoa fazendo qualquer coisa sozinha, desde ficar em sua casa até jantar sem ninguém, não sinta pena, sinta orgulho dela. Pena temos que ter daqueles que não reservam um tempo considerável para estarem com eles mesmos diariamente, pois estes serão os que mais vão se colocar em situações de sofrimento.
Seu corpo e sua mente são o seu lar, no qual você vai habitar todos os dias da sua vida. Olhar para eles, dedicar tempo a eles, cuidar deles é o primeiro passo para uma vida saudável e serena. Esse deve ser seu primeiro investimento e, só quando estiver com isso em dia, pensar no resto, no que está fora, pois o que está fora depende totalmente do que está dentro. O que está fora só melhora quando o que está dentro melhorar.
A ideia te provoca uma enorme resistência? Tudo certo, não a coloque em prática. Mas guarde esta ideia em algum lugar, pois vai chegar uma hora na qual o resultado de não investir em autorreflexão em solitude vai cobrar seu preço e você vai se cansar da forma como está vivendo e das consequências disso. Quando chegar esse dia, quando você se cansar de sofrer e se perguntar “não é possível, deve existir um jeito mais fácil de se viver neste mundo”, este texto poderá te ajudar. Tem gente que não muda no amor, apenas na dor.
Quanto ao resto, que não precisa de dor para sair do lugar e melhorar, exercitem a solitude com alegria e convicção, por mais que o resto do mundo não entenda, não aprove ou sinta pena. Lembrem-se: um país que é campeão mundial de consumo de remédio tarja-preta não é referência para te dizer o que é melhor para sua saúde física ou mental.
Para dizer que você não precisa disso (apenas guarde este texto e visite-o de volta quando a vida te provar que precisa), para dizer que isso não funciona para você (ah, a negação…) ou ainda para dizer que não entendeu absolutamente nada deste texto (a maioria não vai entender mesmo): comente.
Meu problema é o oposto, preciso me policiar pra não ficar viciada em solitude. Me obrigo a fazer alguma atividade fora de casa com outras pessoas pelo menos 3 vezes por mês. O chato é que onde eu moro não tem muitas opções além de ir no bar ou em alguma festa tradicional… Eu vejo vlogs de gringos e de paulistas mostrando tudo o que tem pra fazer nas cidades deles, e nos arredores, e fico impressionada. Além da maior facilidade de importar coisas pra atividades mais específicas.
Queria ir pra São Paulo algum dia.
Cuidado com o que você vê em vlogs e redes sociais, muitas vezes é uma falsa realidade, ninguém mostra os pontos negativos, que costumam superar em muito os pontos positivos
Sentar em silêncio enquanto reflito sobre algo para passar alguns momentos comigo mesma é uma das coisas que mais me traz alegria. Eu costumava ir caminhar para fazer isso na adolescência, e embora ainda goste de caminhar enquanto aproveito a solitude, hoje também aproveito tomando um cafezinho ou só aproveitando as horas mais silenciosas do dia. Meu humor melhora demais se puder tirar algum tempo do dia para fazer isso.
Eu me sinto da mesma forma, Paula. Estar sozinha, comigo mesma, em quietude, introspectiva melhora tudo na minha vida, inclusive meu humor.
Esse “Me Time” é qualidade de vida e é uma das razões pelas quais optei por não ter filhos. Não me vejo sobrevivendo com saúde mental sem esse tempo diário.
Realmente, caminho do meio é o melhor caminho. Eu sempre tive tendência a ficar quase sempre sozinho, afinal, minhas atividades eram solitárias: ler por várias horas a fio, estudar piano… Atividades em grupo era só quando de fato precisava na escola, ou mesmo na dança, aí não tem jeito.
Muitas vezes já cheguei a pensar também que ficava muito tempo sozinho, e que talvez eu precisasse mesmo de alguém as vezes pelo menos pra trocar ideia, pra saber se não to viajando na maionese ou pensando demais, ou de menos. Viver nessa vibe “lobo solitário”, com seus próprios pensamentos também não é legal.
Acho que todos temos fases nas quais preferimos um pouco mais de solitude ou introspecção, é bem normal.
Me identifico com o segundo parágrafo do seu comentário, Ge. Esses dias me assustei um pouco com o quanto estou cada vez mais preferindo ficar sozinha, embora não seja algo que vem de ressentimento ou medo. Eu sei que não é saudável esse outro extremo e estou me esforçando para manter amizades ou arrumar novas.
Porém, se estou nessa fase de querer ficar mais tempo sozinha, é porque eu deveria me atentar a isso. Meu corpo tá me enviando sinais de que é algo que preciso olhar, para dentro.
Quer ir longe? Vá acompanhado. Mas, quer ir mais fundo? Vá sozinho.
É bem aquela coisa, Ana: sujeito me convida “ah, vamos para um parque?” Ok, por mais agradável que seja passear num parque, e eu realmente gosto dessas coisas, eu prefiro rejeitar o convite e ficar na minha lendo, como se uma parte de mim tivesse impaciente e dissesse mal educadamente: mas que saco, me deixa em paz que eu quero ficar sozinho aqui lendo meu Husserl em paz, refletindo e ruminando minhas ideias…”
Mas, por outro lado, chega num ponto em que penso sobre várias coisas, fico até cansado de pensar, e me pergunto: será que essas reflexões estão indo no rumo certo? Será que to errado de pensar assim ou assado? Neste caso, seria bom ter alguém pra compartilhar ou pra poder perguntar.
Não tem nada que eu aprecie mais do que uns bons momentos de solitude, Sally! Como já te disse várias vezes, eu gosto muito de estar quietinho no meu canto, a sós comigo mesmo, sem ter que ver ou falar com ninguém; porque o convívio com outras pessoas é que me é estressante. Tiro esse tempo para “desintoxicar” e para pensar, refletir, planejar; mas não para me auto-julgar ou me auto-condenar, por mais que eu saiba, em meu íntimo, que cometi vários erros ao longo do caminho. Mas tem gente por aí que acha que a solitude traz melancolia, uma sensação de incompletude e de “desperdício de vida”. Já outros, que moram sozinhos, se sentem incompetentes para estabelecer relações. Também há quem se recuse a olhar para dentro de si não por medo do que vai encontrar, mas por pavor de simplesmente não encontrar nada. E conheço pessoas que, em casa, estão sempre com a TV ou o rádio ligados e com o som no talo, porque não toleram o silêncio. Se acaso a eletricidade acabar e ficar tudo quieto, mesmo que apenas por uns poucos minutos, essas pessoas, ainda que não admitam, já ficam incomodadas, impacientes e irritadiças.
Não conseguir ter prazer de ficar sozinho consigo mesmo é sintoma de muitos problemas de saúde mental e causa de muitos deles também.
E boa parte da culpa é da sociedade que não valoriza ou ensina sobre a importância dessa prática.
Esse assunto precisa ser mais falado.
Por mais cultural (e inconsciente?) que seja não ensinar, para mim parece demais ser sobre jamais valorizar (pelo menos aqui na Baixada Fluminense).
Confirmo, W.O.J., que por meu quarteirão há cada parente com medo de “constatar (pseudo)melancolia até nos outros” (o que ainda parece obrigatório em ter TV mesmo que eventual de alguém ligar rádio, sinceramente!)…
É algo que, por si só é difícil de executar pois não fomos ensinados nem praticamos. Com gente desencorajando fica pior ainda!
Imaginem quão merda deve ser a vida de uma pessoa que não aguenta nem ficar sozinha com seus próprios pensamentos…
“E conheço pessoas que, em casa, estão sempre com a TV ou o rádio ligados e com o som no talo, porque não toleram o silêncio. Se acaso a eletricidade acabar e ficar tudo quieto, mesmo que apenas por uns poucos minutos, essas pessoas, ainda que não admitam, já ficam incomodadas, impacientes e irritadiças.”
Isso é coisa de pessoas com a mente vazia. E que também são vazias de espírito e de alma… De gente assim eu só quero uma coisa: distância!