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O Brasil tem Saída!

O Brasil tem Saída!

| Sally | | 36 comentários em O Brasil tem Saída!

Hoje é dia de estreia no Desfavor! Estamos implementando uma novidade para tentar melhorar a qualidade de vida do leitor e este texto é sua introdução: uma coluna permanente chamada “O Brasil Tem Saída”.

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Sim, querido leitor, o Brasil tem saída: ela se chama “aeroporto”. Por isso, decidimos criar uma coluna fixa onde vamos deixar todas as notícias que pudermos encontrar sobre oportunidades para sair do Brasil já com alguma remuneração e/ou infraestrutura no novo país.

Nossa intenção é manter essa coluna constantemente atualizada, o que, dentro das nossas possibilidades, significa inserir novidades pelo menos uma vez por semana, facilitando a vida de quem está a procura de oportunidades fora do país. Para acessar a coluna basta clicar no banner ou no Menu (no alto e à direita) e depois no título “O Brasil Tem Saída”. Vamos ao texto.

Existem muitos países que estão à procura de diferentes tipos de mão de obra, desde trabalho braçal, até mão de obra altamente qualificada, permitindo que você chegue empregado, recebendo um salário digno. Também existem países que querem apenas mais habitantes e te pagam uma mesada bastante generosa apenas para que você more no local. Existem diferentes oportunidades e talvez alguma delas mude sua vida.

Porém, antes de dar esse upgrade na sua vida, seguem algumas dicas para que você esteja preparado. Não é tão fácil quanto parece. Nada escrito neste texto é pensado para te desencorajar a sair do país, muito pelo contrário, acreditamos que seja a melhor opção, porém, você precisa estar ciente do que vai enfrentar, até mesmo para se preparar melhor.

Quando falamos em mudar de país, normalmente, a primeira questão que vem à cabeça das pessoas é dinheiro. Sim, dinheiro é importante e deve ser considerado, mas você não pode deixar de pensar em outras questões que podem pesar tanto quanto – ou até mais. Normalmente dinheiro toma toda a atenção das pessoas e, quando elas finalmente saem do país, são pegas de surpresa por outros obstáculos.

Vamos tirar o elefante branco da sala e falar logo de dinheiro então, para depois entrar nos demais quesitos. Se você tem dinheiro guardado suficiente para se manter por pelo menos um ano em outro país, vá com tranquilidade. Se não, leve em conta estas dicas.

Sair do seu país para morar no exterior com uma mochila nas costas e fé é algo que não recomendamos. Pode até dar certo, mas o risco, a vulnerabilidade e os sacrifícios provavelmente sejam penosos demais. Você vai descobrir que o período de adaptação a outro país consome muita energia, disponibilidade emocional e forças. Então, o ideal é que não vá sobrecarregado, com a pressão de não saber se vai conseguir comprar comida. O ideal é que vá na situação mais confortável possível.

Existem diferentes situações nas quais um país te paga para morar lá. Você pode conseguir bolsa de estudos, pode apenas morar no local e ser remunerado por isso (ou ganhar uma casa), pode trabalhar e receber pelo seu trabalho e muitas outras. O importante é que exista um contrato e que ele seja de longa duração, preferencialmente de mais de um ano, que é o tempo mínimo para alguma adaptação. Você não vai querer procurar emprego coma corda no pescoço no seu primeiro ano longe do seu país, acredite.

Então, se você não tem dinheiro guardado e quer sair do país, saia com alguma garantia. E sempre investigue bem a proposta antes de ir, assegure-se de que não é um golpe. Pode ser que alguém esteja se passando pela instituição, pode ser que a instituição não exista, pode ser tráfico de pessoas, pode ser qualquer coisa. Investigue, investigue e investigue.

Inclusive nas opções que vamos elencar na nova coluna, afinal, nós colhemos as notícias, mas seria impossível checar a veracidade de cada uma delas. Sintam-se livres para debater nos comentários da nova coluna o que acham uma furada e o que acham uma boa opção.

Encontrando uma forma de ser remunerado, o próximo passo é avaliar o custo de vida no local, para entender se essa remuneração te permite viver com um mínimo de dignidade.

Hoje você pode descobrir com facilidade o custo de vida de cada país e da região para a qual você pretende se mudar. Basta usar suas redes sociais para conversar com pessoas de lá, ler notícias do local ou até acessar e-commerce locais: nada como uma boa simulação de compra de supermercado para ter uma noção do custo de vida. Compare o que estão de oferecendo com o custo de vida estimado e avalie se é uma boa oportunidade.

Mas lembre-se: em países sérios, se você for bom, você cresce no seu trabalho e rapidamente ganhará mais. Vejo muita gente desistindo de sair do país pois isso implicaria em uma redução do seu padrão de vida, algo que, no começo, é quase que inevitável. O que essas pessoas não consideram é que em poucos anos estarão muito melhor do que estariam se tivessem ficado no Brasil em termos de remuneração. Então, é um investimento: você vai descer alguns degraus para, em poucos anos, subir muitos outros.

Se estiverem dispostos a trabalho duro, trabalho sério, trabalho focado na excelência, o crescimento profissional vem. Jeitinho, mentirinha no currículo, atraso, enrolação… nada disso costuma ser tolerado. Se sua vida é escorada no jeitinho, melhor ficar no Brasil. Caso contrário, você só tem a ganhar se sair, já que na maior parte dos países civilizados, qualquer trabalho é digno e razoavelmente remunerado – e quem é bom acaba crescendo.

Além da questão do dinheiro, tem outras coisas que você precisa saber. Mudar de país é mais difícil do que parece, tanto é que várias pessoas desistem e voltam. É mais ou menos como ter filhos: todo mundo descreve como a oitava maravilha, pois, à medida que o tempo vai passando, as coisas vão ficando mais fáceis e o cérebro vai apagando todo o trauma e perrengue do começo.

Mesmo o Brasil sendo um país difícil, revoltante e violento, vai ser muito duro se adaptar a outro país. Mas é possível e vale à pena. Porém, se você for pensando que tudo fluirá fácil, vai levar um choque e isso vai tumultuar seu processo.

Você não vai fazer amigos assim que chegar, fazer amigos é um processo demorado, toma tempo, convivência, é uma construção a longo prazo. Isso implica um período mais solitário. Claro que você sempre tem a opção de se comunicar virtualmente com seus amigos no Brasil, mas não é a mesma coisa. Viver em um lugar no qual você não é especial para ninguém é duro. Pensar “se eu morrer amanhã só vão descobrir meu corpo quando feder” é duro.

Melhora com o tempo. Você acaba fazendo amigos, acaba tendo colegas, conhecidos, uma rede de segurança. Mas vai demorar. E, até lá, você vai sentir falta de estar em um lugar onde era conhecido, era querido, era especial. O downgrade não é apenas econômico, ele é social também. Se você era admirado e respeitado no seu trabalho, agora você será alvo de curiosidade e até desconfiança. Precisará se provar, reconstruir um nome, uma carreira, credibilidade.

É uma sensação de não-pertencimento muito complicada de lidar. E ela vai perdurar por muito tempo. Além da solidão, além da saudade de todos os que ficaram no Brasil, você vai ter saudade do que você era no Brasil. Do espaço que ocupava no seu grupo social. Isso fica, não vai com você.

Muitas das suas conquistas ficarão no Brasil e você terá que buscar novas conquistas no novo país. E recomeçar é duro, em qualquer coisa que a gente faça. Quem já parou e voltou a frequentar academia entende o sentimento: não importa quão dedicado você seja, se você parar um mês e voltar, no dia seguinte dói tudo, como se nunca tivesse treinado um dia na sua vida.

A adaptação a uma nova cultura não é fácil. Por mais que o país seja melhor, por mais que o país funcione melhor, por mais que o país ofereça mais qualidade de vida, mudar de cultura te obriga a se adaptar, a mudar a você mesmo, a reavaliar todos seus hábitos, escolhas e rotinas. E isso é cansativo.

Você vai encontrar o que eu chamo “respingos de Brasil” nos seus hábitos, costumes e personalidade, que precisam ser corrigidos, pois países que não são uma República das Bananas não aceitam certas coisas que, para o brasileiro são perfeitamente normais, inofensivas e corretas. Você vai ter que reaprender a viver e se adaptar à cultura dos outros, concorde você ou não com ela.

Você vai ter que estudar e não apenas um novo idioma. Acreditem, o idioma costuma ser o menor dos problemas. Você precisa entender quais são as normas do lugar que vai morar. O que é crime? O que é passível de multa? O que o condomínio proíbe? Que horas recolhem o lixo? Que hora as lojas abrem e fecham? Quais formas de pagamento o supermercado perto de casa aceita? Busque online, vá ao consulado do país no Brasil e converse com funcionários, faça toda a pesquisa que puder.

Muito daquilo que você dava como certo no Brasil e nem cogitava que pudesse ser diferente em outro lugar, para sua surpresa, será diferente. Você vai descobrir que coisas que acreditava serem universais, como por exemplo, poder pagar uma conta no banco (presencial ou online) não são. E, por mais que você estude, tem coisas que só vai descobrir quando chegar lá, e, geralmente, passando perrengue. Se puder conversar com brasileiros que moram no local, faça. Vai te poupar muitos erros.

Tem também a sensação de culpa, pelas pessoas que você deixou. Família, idosos que podem vir a precisar de você, até mesmo filhos. Não tem jeito, é um sentimento com o qual você terá que aprender a lidar (e que fica mais suave com o tempo), afinal, não faz sentido que alguém tenha que ficar em um país ruim e viver infeliz só para não se sentir culpado. Pense da seguinte forma: quando você estiver bem-sucedido, pode levar quem você quiser para perto, você está apenas em uma jornada de separação temporária.

Tenha em mente que todo o estranhamento, o choque, o não-pertencimento inicial não querem dizer que você não sirva para esse país. Qualquer pessoa que troca de país sente isso. É como passar pela arrebentação na praia: você vai entrando no mar, apanhando, tomando onda na cabeça, caindo, rolando, sendo derrubado, mas insiste, até que passa pela arrebentação e vem uma gostosa calmaria. Persista e você vai se adaptar e ser tão feliz como seria no Brasil – ou mais.

O fato de estar triste, solitário, infeliz e deslocado não é sinal de que não deu certo, é sinal de que você ainda está em um processo de adaptação. Dificilmente alguém está adaptado antes de um ano. Um ano é o tempo mínimo para que a pessoa comece a se sentir mais confortável no novo país. Antes disso, é desconforto mesmo. Desconforto, medo, frustração, culpa, tristeza, saudade. Mas passa. E é por um motivo nobre: ter qualidade de vida, segurança e estabilidade.

No começo vai ser especialmente difícil pois provavelmente você não terá acesso a aquilo que era o seu lazer, o que você usava para desestressar, desopilar. Futebol na praia, barzinho com amigos, domingo em família… seja lá qual for a maneira pela que você recarregava as baterias, provavelmente não estará mais disponível.

O que significa que você vai ter que encontrar novas formas, dentro das limitações que as circunstâncias vão impor. O que, por sua vez, significa que você não vai ter como desopilar por um tempo, até encontrar essas formas. Não tem jeito, é tentativa e erro: experimentar coisas novas até descobrir algumas de que goste. Por sinal, todo mundo deveria fazer isso na vida, em vez de ficar apegado ao mesmo lazer. Repita o mantra: depois de um ano, tudo vai melhorar.

É curioso como as pessoas conseguem sublimar um desconforto inicial em nome de um ganho futuro em questões mais fúteis, mas não conseguem fazê-lo em questões mais importantes. Todo mundo sabe que se fizer uma cirurgia plástica o pós-operatório vai doer, vai ser desconfortável, vai ter limitações. Mas as pessoas fazem mesmo assim, pois querem remover a gordura, querem outro nariz, querem outro peito.

Porém, quando é algo da magnitude de mudar de país para ter uma vida melhor e dar uma vida melhor aos filhos, eu não vejo a mesma garra. Talvez as pessoas tenham a ilusão de que vai ser muito mais fácil do que elas pensam e o choque faça com que não tenham estrutura para seguir em frente. Por isso eu te digo, eu te garanto, eu te juro: aguenta, que melhora com o tempo. Sua vida no novo país não vai ser sempre o sofrimento e perrengue dos primeiros anos. Melhora.

Mesmo ciente de tudo isso, em algumas horas o desespero vai bater. O saco cheio vai bater. A exaustão vai bater. Nessas horas é fundamental de que você se lembre que vai melhorar, desde que você faça por onde. Sua postura é fundamental. Se você não estiver disposto a se moldar à nova realidade, vai ser um tormento.

É preciso estar aberto a abraçar uma nova cultura, estar ciente de que para obter os muitos benefícios do país que você escolheu vai ter que abrir mão de coisas que você gosta (já vi gente voltar ao Brasil pois não tinha feijão no país onde a pessoa estava!) e é preciso que se faça esforço diário para adaptação. Não fique com raiva do novo país, não pegue birra do novo país, não alimente implicância com o novo país.

E muito cuidado com o que eu chamo de “síndrome de ex”. Quando um relacionamento termina, por pior que ele estivesse, a gente tende apenas a focar no que perdeu, fica lembrando apenas das coisas boas do ex e esquece todas as cagadas, problemas e diferenças.

É comum que as pessoas façam o mesmo quando saem do país: romantizam o Brasil, só lembram das coisas boas, atenuam os inúmeros defeitos, achando que não são tantos nem são graves. Não caia nessa, é só o medo te manipulando, querendo te fazer voltar para o que é conhecido. Uma banheira de merda é quentinha e confortável, mas ainda é de merda.

A adaptação a outro país não é um processo passivo, não é só chegar e esperar até você se acostumar. É um processo ativo. Você tem que estudar, compreender aquela sociedade e procurar coisas, comidas, lugares e lazer que te agradem. É um processo demorado, onde é indispensável saber lidar com frustração: de cada 5 coisas que você tentar, só vai gostar de uma e isso não quer dizer que o lugar seja uma merda, quer dizer que você está aprendendo sobre ele. Garanto que você não gostava de tudo no Brasil.

Ajuda muito nesse processo se você tiver um “porto seguro”, uma pessoa com a qual possa conversar, desabafar, pedir conselhos sempre que bater o desespero. Se você tem um bom amigo capaz de fazer esse papel, peça para que ele seja seu curador de adaptação e acione-o sempre que precisar.

E, muito importante: desapega. Tem que sair do Brasil e deixar o Brasil sair de você. Não dá para ir a outro país esperando “Um Brasil com neve” ou “Um Brasil que paga em dólar”. Não vai ser Brasil em nenhum outro lugar. Não procure Brasil onde você está. Desapega do Brasil e você vai ver que muitas das coisas que você gosta no Brasil são apenas costume/falta de opção/condicionamento e que existem muitas outras opções no novo país que vão te conquistar e te fazer feliz.

Bateu o desespero? Respira fundo e pensa que vai melhorar. Respira fundo e conversa com alguém. Respira fundo e vai fazer algo que recarregue sua bateria e reduza seu estresse. Voltar ao Brasil é como voltar com aquele seu ex que te agredia só por ser mais fácil, já que ao menos você o conhecia bem.

Eu já mudei de bairro, de cidade, de estado e de país, portanto, se você está sofrendo para se adaptar a um novo país, não tem nada que você esteja sentindo que eu não tenha sentido. Pode deixar seu comentário aqui (inclusive anônimo, para preservar sua privacidade) que a gente conversa e certamente você vai se sentir melhor.

E, por fim, o conselho mais importante de todos: saia do país pelas razões certas, ou seja, por não estar satisfeito com o país. Se você está saindo por outro motivo, como por exemplo para recomeçar do zero pois sua vida não te agrada, não vai dar certo. O céu e o inferno são portáteis, eles vão com a gente, onde quer que a gente vá.

Então, se a sua mente não está em um bom lugar, sua vida não será boa no Brasil, na França ou na Austrália. Mudar o cenário não muda sua vida, mudar sua mente muda sua vida.

É isso, espero que nossa nova coluna ajude de alguma forma.

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Para dizer que tem coisas que só o Desfavor faz por você, para dizer que os outros povos são muito frios (o brasileiro é que é informal demais) ou ainda para dizer que feijão é indispensável: sally@desfavor.com


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