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Ode ao Pobre.

Ode ao Pobre.

| Sally | | 85 comentários em Ode ao Pobre.

Este texto é uma homenagem sincera, de coração, mas que certamente não será visto como tal e vai ofender. É um humor que não se pode fazer hoje em dia, porque tem um grupo que não acha graça nisso. E se um grupo não acha graça nisso, então ninguém no mundo pode ter direito ou acesso, o conteúdo não pode existir, pois quem não gosta não pode simplesmente não ler, é preciso erradicar aquilo com que se discorda. Eu vou pactuar com isso? Claro que não. Fiquem super à vontade para me xingar, eu realmente não me importo.

O texto de hoje é uma Ode ao Pobre. Essa raça maravilhosa, que independe de classe econômica, social ou de local de residência. A pobreza não está relacionada com nenhum fator externo, e sim interno. O pobre, essa espécie peculiar que tanto nos diverte e nos aborrece, merece um texto especial, feito de coração. Pobres são uma espécie de X-Men da sociedade atual. Talvez P-men. Eles tem superpoderes, você não sabia? Tem coisas que ultrapassam o limite humano, que só pobre consegue.

O pobre é super ultra fértil. O pobre é extremamente fértil. Talvez porque não saiba cuidar da prole, por isso precisa ter muitos para que alguns “vinguem”. Não é que o pobre faça mais sexo do que o rico, todo pobre tem um smartphone melhor do que o seu no qual passa 95% do seu tempo evadindo sua privacidade e sendo inconveniente em redes sociais. O pobre não faz muito sexo e quando o faz, é precário. Ele tem muitos filhos porque é mega-fértil mesmo.

Não me perguntem como a mãe natureza faz, mas ela detecta a pobreza e parece dobrar a capacidade reprodutiva do pobre. Pobre engravida até mesmo usando anticoncepcional. A natureza corrobora para a proliferação dos pobres, a natureza é uma piada de péssimo gosto, caso ainda não tenham percebido. Periga de uma pobre-fêmea engravidar se um pobre-macho peidar ao seu lado dentro do ônibus. Acho que eles são como plantas, soltam esporos levados pelo ar que fecundam. Talvez na calada da noite, sem que ninguém saiba, se reproduzam por bipartição: cai um braço do pobre e dele brota um pobrinho.

O pobre também é curiosamente elástico. Ele tende a ter um alongamento fora do normal. Abre as pernas em um belíssimo espacate (que obviamente é chamado pelo pobre de “abrir espaguete”) com toda a facilidade do mundo, enquanto os reles mortais se alongam anos para conseguir encostar a mão na ponta dos dedos do pé sem dobrar os joelhos. Talvez a falta de proteína na primeira infância deixe as articulações mais moles, talvez seja um jeito que a natureza, esta filha duma puta, encontrou para que eles consigam sobreviver ao ambiente hostil, o fato é que o pobre coloca os dois tornozelos atrás dos joelhos com a mesma facilidade com que procria. Talvez um até esteja relacionado com o outro.

O pobre, por sua essência, tem o dom, o superpoder do ruído. Nada que o pobre faz é silencioso. Falando ao telefone, preparando um café da manhã, ou tomando um banho… tudo que se relaciona ao pobre é barulhento. Certeza que peido de pobre é mais alto do que peido de pessoa comum.

O pobre só concebe a demonstração de alegria através de barulho e, quanto maior a alegria, mais alto o ruído. Até os objetos inanimados de propriedade do pobre são programados para este finalidade: o celular toca alto e inconveniente, o som do carro acorda o quarteirão todo, o som da TV obriga a vizinhança a escutar o que o pobre estiver vendo. Talvez os pobres tenham dificuldades auditivas, por terem sido criados por outros pobres em residências barulhentas. É um caso a se pensar, mas de qualquer forma, eles tem o superpoder-cagado do ruído desde a mais tenra infância. Especulo se que quando um pobre fica mais de três segundos em silêncio ele se desintegra no ar e desaparece.

Enquanto o rico tem o Toque de Midas, onde encosta vira ouro (dinheiro atrai dinheiro, sabemos disso), o pobre tem outro superpoder: o Toque de Merdas. Quando o pobre mete a mão, a coisa quebra, estraga ou suja. A falta de coordenação motora fina é inerente ao pobre, talvez isso explique seu superpoder de destruição. Um fone de ouvido, nas mãos de um pobre, dura aproximadamente 48h até que um dos lados pare de funcionar. E quando algo para de funcionar ou começa a funcionar de forma precária, o pobre resolve o problema espancando a coisa. Sim, aparentemente, tapas laterais na torradeira vão melhorar sua efetividade.

O pobre também tem o superpoder da percepção seletiva, o que lhe permite apontar características em outros pobres sem jamais perceber que também as possuí. Por exemplo, um pobre pode reclamar que outro pobre está fedendo, sem se dar conta de que quando ele levanta o braço até as flores de plástico de sua casa murcham. Um pobre pode recriminar a aparência física do outro pobre, ainda que também a possua. Algo muito comum é ver um pobre Pantone 479 C criticar um outro pobre Pantone 476 C com dizeres racistas. E jamais, jamais percebem incoerência de nenhum de seus atos.

O pobre também tem propriedades camaleônicas. Ele consegue mudar de cor, segundo a ocasião. Quando o Censo bate na sua casa para fazer uma pesquisa, o pobre embranquece, ele vira branco, ou no máximo “moreninho”, esta maravilhosa classificação racista. Porém ao aplicar para um concurso ou prova o pobre automaticamente escurece e se declara negro. Esta característica permite que o pobre se mimetize da forma que mais lhe assegurar sua sobrevivência e acordo com o meio onde se encontra. Na faculdade é negro, em casa é branquíssimo.

Nossos super-heróis também tem um superpoder peculiar e, um tanto quanto inútil: o dom da batucada. O pobre batuca basicamente em qualquer lugar: caixinha de fósforo, na lataria do transporte público e até nas costas de outro pobre. É um reflexo do sistema nervoso deles, estão programados para batucar em qualquer superfície que se lhes apresente. É um reflexo involuntário, ao qual o pobre não consegue resistir e não pode evitar. Quando canalizado para a vida profissional, tem sua utilização, Olodum e Timbalada tão aí para provar.

Mas, assim como qualquer super-herói, o P-men tem seus pontos fracos. Assim como Superman padece diante de Kryptonita, os pobres também podem ser vítimas de seus pontos fracos.

Tal qual Dodôs, o pobre tem uma atração irracional por tudo que brilha. Ele não pode ver um objeto brilhoso, seja ele de metal ou outro material, que imediatamente o recolhe e o incorpora à sua indumentária e, algumas vezes, até mesmo ao eles mesmos, como o famoso caso onde pobres alegres esfregaram Césio 137 pelo corpo. É mais forte do que eles: encontram uma cápsula com uma caveira desenhada, perfurada e um material brilhante saindo dela… o que fazem? Esfregam no rosto! Em casos mais inofensivos (porém igualmente graves) vemos pobres que acumulam adornos de metal em pescoço, dedos e orelhas. Quanto maior melhor. Tem pobre que usa alargador de um tamanho que dá para passar um recém-nascido pelo buraco.

Outro ponto fraco do pobre é a pele, dermatologicamente falando. A pereba é inerente à pele do pobre, independente de seus hábitos de higiene, que, em matéria de banho, abunda. Sim, ao contrário do que muitos pensam, o pobre toma muitos banhos graças a seu complexo, tentando sempre provar ao mundo que é limpinho. O que falta ao pobre é desodorante com a devida potência e não banho. O pobre escolhe desodorante pelo odor de sua preferência e não pela eficácia de contenção que exerce na sua pele e suor. Desodorante não é perfume, sua função é conter cecê e não perfumar.

Porém, o pobre desconhece este conceito e se banha compulsivamente graças a essa pressão social de questionar sua higiene. Pobre tem a obrigação de ser limpinho assim como o burro tem a obrigação de ser esforçado e o gordo tem a obrigação de ser simpático. Ainda assim, a pele do pobre é constantemente habitada por micoses e toda classe de problemas de pele, predominando o furúnculo, problema de pobre por excelência. Mais fácil ver um unicórnio comendo ouro em pó e cagando arco-íris do que um pobre sem furúnculo. Sim, o pobre é o habitat natural do furúnculo.

E, por último, o pobre tem um ponto fraco com sua mãe. O pobre leva a mãe muito a sério e não permite que nenhuma crítica ou qualidade negativa lhe seja imputada, nem mesmo a título de brincadeira. Prontamente ele se exalta com o que chama de “botar a mãe no meio” e se torna violento. Assim, é relativamente fácil desestabilizar um pobre, bastando fazer qualquer alusão que ele considere desabonadora à sua figura materna. Não importa que sua mãe seja uma criminosa, uma filha da puta ou uma prostituta, se falar algo que desabone sua mãe, o pobre surta.

Pobres são criaturas fascinantes. Tão fascinantes que gringos, quando visitam países onde o pobre habita, alugam jipes e vão até seu habitat natural fotografá-los. O pobre merece ser estudado e, no que depender da gente, prosseguiremos catalogando-os.

Para dizer que quando Caco Antibes faz esse tipo de humor no Sai de Baixo é engraçado mas quando eu faço é discriminatório, para acrescer superpoderes que eu tenha esquecido ou ainda para pegar pipoca, sentar e esperar dar merda: sally@desfavor.com


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