
Ode ao Pobre.
| Sally | Flertando com o desastre | 85 comentários em Ode ao Pobre.
Este texto é uma homenagem sincera, de coração, mas que certamente não será visto como tal e vai ofender. É um humor que não se pode fazer hoje em dia, porque tem um grupo que não acha graça nisso. E se um grupo não acha graça nisso, então ninguém no mundo pode ter direito ou acesso, o conteúdo não pode existir, pois quem não gosta não pode simplesmente não ler, é preciso erradicar aquilo com que se discorda. Eu vou pactuar com isso? Claro que não. Fiquem super à vontade para me xingar, eu realmente não me importo.
O texto de hoje é uma Ode ao Pobre. Essa raça maravilhosa, que independe de classe econômica, social ou de local de residência. A pobreza não está relacionada com nenhum fator externo, e sim interno. O pobre, essa espécie peculiar que tanto nos diverte e nos aborrece, merece um texto especial, feito de coração. Pobres são uma espécie de X-Men da sociedade atual. Talvez P-men. Eles tem superpoderes, você não sabia? Tem coisas que ultrapassam o limite humano, que só pobre consegue.
O pobre é super ultra fértil. O pobre é extremamente fértil. Talvez porque não saiba cuidar da prole, por isso precisa ter muitos para que alguns “vinguem”. Não é que o pobre faça mais sexo do que o rico, todo pobre tem um smartphone melhor do que o seu no qual passa 95% do seu tempo evadindo sua privacidade e sendo inconveniente em redes sociais. O pobre não faz muito sexo e quando o faz, é precário. Ele tem muitos filhos porque é mega-fértil mesmo.
Não me perguntem como a mãe natureza faz, mas ela detecta a pobreza e parece dobrar a capacidade reprodutiva do pobre. Pobre engravida até mesmo usando anticoncepcional. A natureza corrobora para a proliferação dos pobres, a natureza é uma piada de péssimo gosto, caso ainda não tenham percebido. Periga de uma pobre-fêmea engravidar se um pobre-macho peidar ao seu lado dentro do ônibus. Acho que eles são como plantas, soltam esporos levados pelo ar que fecundam. Talvez na calada da noite, sem que ninguém saiba, se reproduzam por bipartição: cai um braço do pobre e dele brota um pobrinho.
O pobre também é curiosamente elástico. Ele tende a ter um alongamento fora do normal. Abre as pernas em um belíssimo espacate (que obviamente é chamado pelo pobre de “abrir espaguete”) com toda a facilidade do mundo, enquanto os reles mortais se alongam anos para conseguir encostar a mão na ponta dos dedos do pé sem dobrar os joelhos. Talvez a falta de proteína na primeira infância deixe as articulações mais moles, talvez seja um jeito que a natureza, esta filha duma puta, encontrou para que eles consigam sobreviver ao ambiente hostil, o fato é que o pobre coloca os dois tornozelos atrás dos joelhos com a mesma facilidade com que procria. Talvez um até esteja relacionado com o outro.
O pobre, por sua essência, tem o dom, o superpoder do ruído. Nada que o pobre faz é silencioso. Falando ao telefone, preparando um café da manhã, ou tomando um banho… tudo que se relaciona ao pobre é barulhento. Certeza que peido de pobre é mais alto do que peido de pessoa comum.
O pobre só concebe a demonstração de alegria através de barulho e, quanto maior a alegria, mais alto o ruído. Até os objetos inanimados de propriedade do pobre são programados para este finalidade: o celular toca alto e inconveniente, o som do carro acorda o quarteirão todo, o som da TV obriga a vizinhança a escutar o que o pobre estiver vendo. Talvez os pobres tenham dificuldades auditivas, por terem sido criados por outros pobres em residências barulhentas. É um caso a se pensar, mas de qualquer forma, eles tem o superpoder-cagado do ruído desde a mais tenra infância. Especulo se que quando um pobre fica mais de três segundos em silêncio ele se desintegra no ar e desaparece.
Enquanto o rico tem o Toque de Midas, onde encosta vira ouro (dinheiro atrai dinheiro, sabemos disso), o pobre tem outro superpoder: o Toque de Merdas. Quando o pobre mete a mão, a coisa quebra, estraga ou suja. A falta de coordenação motora fina é inerente ao pobre, talvez isso explique seu superpoder de destruição. Um fone de ouvido, nas mãos de um pobre, dura aproximadamente 48h até que um dos lados pare de funcionar. E quando algo para de funcionar ou começa a funcionar de forma precária, o pobre resolve o problema espancando a coisa. Sim, aparentemente, tapas laterais na torradeira vão melhorar sua efetividade.
O pobre também tem o superpoder da percepção seletiva, o que lhe permite apontar características em outros pobres sem jamais perceber que também as possuí. Por exemplo, um pobre pode reclamar que outro pobre está fedendo, sem se dar conta de que quando ele levanta o braço até as flores de plástico de sua casa murcham. Um pobre pode recriminar a aparência física do outro pobre, ainda que também a possua. Algo muito comum é ver um pobre Pantone 479 C criticar um outro pobre Pantone 476 C com dizeres racistas. E jamais, jamais percebem incoerência de nenhum de seus atos.
O pobre também tem propriedades camaleônicas. Ele consegue mudar de cor, segundo a ocasião. Quando o Censo bate na sua casa para fazer uma pesquisa, o pobre embranquece, ele vira branco, ou no máximo “moreninho”, esta maravilhosa classificação racista. Porém ao aplicar para um concurso ou prova o pobre automaticamente escurece e se declara negro. Esta característica permite que o pobre se mimetize da forma que mais lhe assegurar sua sobrevivência e acordo com o meio onde se encontra. Na faculdade é negro, em casa é branquíssimo.
Nossos super-heróis também tem um superpoder peculiar e, um tanto quanto inútil: o dom da batucada. O pobre batuca basicamente em qualquer lugar: caixinha de fósforo, na lataria do transporte público e até nas costas de outro pobre. É um reflexo do sistema nervoso deles, estão programados para batucar em qualquer superfície que se lhes apresente. É um reflexo involuntário, ao qual o pobre não consegue resistir e não pode evitar. Quando canalizado para a vida profissional, tem sua utilização, Olodum e Timbalada tão aí para provar.
Mas, assim como qualquer super-herói, o P-men tem seus pontos fracos. Assim como Superman padece diante de Kryptonita, os pobres também podem ser vítimas de seus pontos fracos.
Tal qual Dodôs, o pobre tem uma atração irracional por tudo que brilha. Ele não pode ver um objeto brilhoso, seja ele de metal ou outro material, que imediatamente o recolhe e o incorpora à sua indumentária e, algumas vezes, até mesmo ao eles mesmos, como o famoso caso onde pobres alegres esfregaram Césio 137 pelo corpo. É mais forte do que eles: encontram uma cápsula com uma caveira desenhada, perfurada e um material brilhante saindo dela… o que fazem? Esfregam no rosto! Em casos mais inofensivos (porém igualmente graves) vemos pobres que acumulam adornos de metal em pescoço, dedos e orelhas. Quanto maior melhor. Tem pobre que usa alargador de um tamanho que dá para passar um recém-nascido pelo buraco.
Outro ponto fraco do pobre é a pele, dermatologicamente falando. A pereba é inerente à pele do pobre, independente de seus hábitos de higiene, que, em matéria de banho, abunda. Sim, ao contrário do que muitos pensam, o pobre toma muitos banhos graças a seu complexo, tentando sempre provar ao mundo que é limpinho. O que falta ao pobre é desodorante com a devida potência e não banho. O pobre escolhe desodorante pelo odor de sua preferência e não pela eficácia de contenção que exerce na sua pele e suor. Desodorante não é perfume, sua função é conter cecê e não perfumar.
Porém, o pobre desconhece este conceito e se banha compulsivamente graças a essa pressão social de questionar sua higiene. Pobre tem a obrigação de ser limpinho assim como o burro tem a obrigação de ser esforçado e o gordo tem a obrigação de ser simpático. Ainda assim, a pele do pobre é constantemente habitada por micoses e toda classe de problemas de pele, predominando o furúnculo, problema de pobre por excelência. Mais fácil ver um unicórnio comendo ouro em pó e cagando arco-íris do que um pobre sem furúnculo. Sim, o pobre é o habitat natural do furúnculo.
E, por último, o pobre tem um ponto fraco com sua mãe. O pobre leva a mãe muito a sério e não permite que nenhuma crítica ou qualidade negativa lhe seja imputada, nem mesmo a título de brincadeira. Prontamente ele se exalta com o que chama de “botar a mãe no meio” e se torna violento. Assim, é relativamente fácil desestabilizar um pobre, bastando fazer qualquer alusão que ele considere desabonadora à sua figura materna. Não importa que sua mãe seja uma criminosa, uma filha da puta ou uma prostituta, se falar algo que desabone sua mãe, o pobre surta.
Pobres são criaturas fascinantes. Tão fascinantes que gringos, quando visitam países onde o pobre habita, alugam jipes e vão até seu habitat natural fotografá-los. O pobre merece ser estudado e, no que depender da gente, prosseguiremos catalogando-os.
Para dizer que quando Caco Antibes faz esse tipo de humor no Sai de Baixo é engraçado mas quando eu faço é discriminatório, para acrescer superpoderes que eu tenha esquecido ou ainda para pegar pipoca, sentar e esperar dar merda: sally@desfavor.com
Esse post também mostra o porquê de muitas vezes Bolsonaristas ganharem o poder e é simples:
A esquerda política adora criticar os ricos, sempre generalizando, falando mal da burguesia, que todos são maus, exploradores, que querem escravizar todo mundo, coisas como: “eu odeio a classe média” e blá blá blá, como se todos fossem assim, mas quando uma pessoa faz uma criticazinha aos pobres, já vira uma pessoa má, racista, eugenista que quer eliminar eles, como se pobres fossem santos e coitadinhos, quando não é bem assim.
TODAS as classes têm sim os seus defeitos e críticas a serem feitas, mas a esquerda infelizmente não compreende.
Esse assunto que você abordou aí, principalmente da ultra fertilidade dos pobres é um assunto que muita gente sabe mas tem medo de falar e não é só gente de direita não: até alguns dos próprios pobres sabem disso, pena que os riquinhos do Leblon e afins, que adoram botar a culpa de tudo no capitalismo enquanto bebem o mais caro dos vinhos, não sabem. Ou fingem não saber.
Ninguém fala para não ser socialmente trucidado. Não é permitido falar uma coisa dessas.
Como faço para deixar de ser BM?
(Não há ironia/sarcasmo na pergunta).
Ser assim te incomoda ou te prejudica em quais aspectos da sua vida?
Sally,
Vivo entre dois mundos…em minha carreira acadêmica avancei bastante e alcancei um patamar considerável. Entretanto, eu cresci em um ambiente igualzinho ao que é descrito no texto e carrego em mim quase todas as características do BM. É aquele ditado que vc tira a pessoa da pobreza mas não tira a pobreza da pessoa.
Daí acabo com sentimento de inadequação nos dois ambientes, quase que uma “síndrome do impostor”.
Pensei até em fazer aulas de etiqueta, acompanhamento com fonoaudiólogo para educar o tom da voz…sei lá…tenho muita vergonha…
Não acho que isso seja externo (modo de segurar o talher, por exemplo). É interno. É um modo de vida.
Existem pessoas ricas que falam alto e que não sabem se portar, não é isso que faz de alguém digno ou indigno.
Acho que o grande diferencial é conseguir observar o outro, ter ciência do outro e respeitá-lo. Perceber quando se está causando um incômodo ao outro e tentar não fazê-lo.
Um exemplo: BM coloca música alta e foda-se se tem alguém dormindo, foda-se se tem um hospital ao lado da sua casa onde pessoas precisam de silêncio para se recuperar, foda-se o mundo, ele não consegue nem perceber que existem outras pessoas além dele nem se adequar para conviver com elas da melhor forma possível.
Valeu pela resposta. Você é bastante gentil.
Muito bom o texto!
E não podemos deixar de esquecer que o pobre tem aversão a tudo que seja cultural ou relacionado a educação, artes, livros (falar em ler um livro então? putz)… Para eles isso é “muito chato” e ser um “riquinho nerd”.
Sensacional! Ri muito e lembrei da famosa frase sim:
“Eu tenho HORROR a pobre! ”
De acordo com sua bem humorada descrição, minha alma não é tão pobre, exceto pela questão dos fones de ouvido. Nunca fiquei com um.
Ps: será que eu já encontrei a Morena Flor por aqui? Atualmente, moro na Ribeira. E assino em baixo em tudo o que vocês falaram. Inclusive, o Humaitá virou área para usar drogas…
”cocô com olhos” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Duas coisas que pobre ama fazer: filho e tatuagem.
hahahahahahahahahahaha
Ambos irreversíveis!
Vc é demais, Sally! Por mais textos desses!
Haverão!
Há Gente tão Pobre, que só Possui Dinheiro.
Sinceramente: Espero que Não Seja o Caso de Nenhum de Vocês…
Sally, vc falou da fertilidade do pobre, e eu conto aqui mais um caso da educação pobre que muitos BMs dão aos filhos. Estava eu esperando o ônibus da Ribeira (bairro litorâneo de Valsador, banhado pela Baía de Todos os Santos que todo fim de semana se infesta de pobres que fazem questão de infernizar os outros para mostrar o quanto são felizes na merda e fazendo merda). Pois bem: Uma mãe (pobre, pra variar) estava com seu filho no ponto, perto de mim. O garotinho era lindo, com uma cabeleira linda. Pois bem. Alguém confundiu – o com menina, mas ele pareceu não se importar. Pois a mãe se virou e aconselhou o filho assim: “Olha, filho, quando alguém confundir você com menina fale assim: Eu sou macho, olha aqui a minha pica” – assim mesmo, fazendo os gestos obscenos imagináveis para quem conversa nestes termos, e ainda arrematou: “Se não falar assim, chegar em casa eu te arrebento”. E tudo isso para um garotinho que provavelmente nem sabe o que é pica, nem pra que serve. Um horror, eu me sinto um ET nesta cidade, sério… Eu fiquei chocada com a cena (nem deveria, já presenciei mães xingando os próprios filhos de “desgraça” nos pontos de ônibus daqui de Valsador, dentre outras atrocidades). BM é terrível… Fiquei com pena do garotinho e revoltada com uma mãe destas, querendo empurrar machismo goela abaixo no pequenininho. Foda… É o tipo de pessoa que não deveria ter filhos, mas infelizmente é esse tipo de gente que põe filho no mundo, aí ja viu, o Brasil, que já é cagado com o povo que tem, fica ainda mais cagado quando este povinho insiste em parir sem ter a menor estrutura psicológica, financeira e tudo mais pra sustentar outro ser humano por uns anos de vida. E depois tome foto no facebook para ostentar uma felicidade que não existe, inclusive com filhos no meio…
Aposto que essa mesma idiota que mandou o filho mostrar a pica posa de empoderadona em rede social atacando machistas. Ribeira é um bairro-circo, tem de tudo que você possa imaginar, tenho calafrios só de lembrar. E, a propósito, aquela sorveteria nem é tão boa assim, não vale uma ida ao bairro.
Sim, vc tem razo, Sally, fora alguns locais dali que até acho bonitos (quer dizer, quando se vai pra lá em dia de semana, prque fim de semana é um inferno com toda aquela pobralhada barulhenta, melequenta, porca e piolhenta que vai pra lá. A sorveteria de fato tem dias que é uma bagunça, embora tenha uns sabores que aprecio… Mas enfim, nada que lembre o gelatto italiano, que de longe é o meu preferido dos sorvetes. Chegou uma senhora que vende um crepe delicioso, de vez enquando eu vou lá comer. Tem também a Ponta de Humaitá, que é um recanto bonito (que, pra variar, é estragado todo final de semana pelo mesmo tipo de pobralhada que infesta a Ribeira). Como se pode ver, ainda tento aproveitar o que sobrou de “aproveitável” nesta cidade animalesca, infernal, bárbara e quente demais (você acredita que aqui em Valsador, não teve UM dia com temperatura abaixo dos 22 graus ainda? E vai piorar, pois dezembro vem aí… minha felicidade é que em janeiro vou visitar a Alemanha pra passear e fazer prova pra mestrado em canto. Espero muito ser aprovada e ganhar a bolsa (que também estou pleiteando) para cair fora desta merda de uma vez e ficar feliz vivendo em país civilizado com um clima mais fresco kkkkkkkkk (tá, às vezes é congelante, mas ainda sim, é muito melhor – até o clima é muito mais civilizado, imagina o resto)
Nossa, o lugar é esse mesmo!
Quando eu fui tinha pombos do lado de dentro da sorveteria
Bom saber da novidade !
Boa sorte com a prova
e boa visita !
Sim, imagino… Eu mesma jamais criaria filho dess maneira, isso só piora as coisas pro moleque, coitado… Eu não sou assim e sequer me poso de empoderada de rede social, ela com certeza deve protestar contra o machismo, mas o machismo está nela. E como ela, existem muitas :P
Essa mãe cheia de ternura me lembrou um dia em que eu estava num supermercado e uma Pobre™ estava na minha frente na fila. Discutia com seu marido/namorado/ficante/amásio Pobre™ sobre os deveres para com sua prole. Acho que devia ser uma menina. Não se acanhava de discutir em público – provavelmente o celular devia ser um daqueles modelos cobiçados e era uma chance de exibi-lo – e dava um esporro no sujeito porque toda vez que tinha que ficar um pouco com a menina a primeira coisa que ele fazia era largar ela na casa da avó, provavelmente a sogrinha querida. Mas o que marcou mesmo foi o encerramento da discussão: “Affe, maldita hora que eu fui engravidar d’ucê! Só atraso!”
Que diálogo saudável! Que bacana manter um relacionamento se pensa assim!
Adorei a parte dos poderes camaleônicos do Pobre™. Na hora da auto-declaração para fins de recenseamento, a escala de cores do Pobre™ não consiste em branco, pardo, negro, amarelo ou vermelho. Não. Nessa hora a escala de cores se reduz a duas: branco e Tião Macalé. No máximo um moreninho no meio.
Mas na hora das cotas, essas duas cores se tornam albino e negro.
Contribuo com mais duas características do Pobre™: a necessidade de mostrar que está BEM.
Foda-se a atual situação do Pobre™. Seguro-desemprego? Mais da metade da renda mensal comprometida pagando bugigangas, o carro samambaia e aquele celular de primeira linha que só liga para celulares da mesma operadora? Contando quantas sobrecoxas de frango a família consome numa semana? Pois fornique-se, porque a festa de fim-de-semana do Pobre™ é sagrada. Muita cerveja, muita lingüiça, muita música alta, risadas que dá pra escutar nos oito quarteirões adjacentes (você TEM QUE SABER que ele está feliz) e assim por diante. No Feice então é só alegria. O casal que briga toda noite tem uma conta conjunta, Wellystone ♥ Ketheleny. O filho maconheiro que não trabalha “por causa da crise” é uma vítima das circunstâncias, e assim por diante.
Isso está atrelado à segunda característica do Pobre™: a falsa modéstia. Ele quer que você olhe tudo aquilo que eu mencionei acima e faça comentários positivos, elogiosos, que ele prontamente responderá com “que é isso, não é nada”. Mas vai o Pobre™ encontrar alguém que esteja, de fato, bem. Não o BEM, mas bem, basta não ter dívidas, prestações atrasadas, estar tranqüilo com a família. Pronto, o recalque bate forte. Uma injustiça. Desconsidera que o outro não ostenta e gasta o que não tem, é que tem alguma coisa errada ali.
Agora, quer ver o recalque virar um desejo mórbido de que todo tipo de desgraça caia sobre a pessoa é ver alguém que está BEM e não precisa fazer das tripas coração pra isso. Que aquilo, de fato, não é “nada” pra ela.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
AMEI
Pobre não tem noção de coletivo, não se preocupa em incomodar os outros é surreal, os melhores testemunho disso são no transporte coletivo (qlq um) e no cinema. Não importa onde pobre sempre se acha importante o tal “tô pagando” criou monstros.
“Quer conforto pega um táxi!”, ou seja, enquanto o pobre estiver ali, ele deixa bem claro que vai fazer da sua vida um inferno.
Outro dia, num ônibus, tinha uma pobre evangélica cantando louvor. Alto.
Olhei com cara fechada pra ela, no que ela grita “Pode olhar feio, que da graça EU NÃO SAIO!!!”. E seguiu cantando.
Enquanto não cantava, falava mal da vizinha, da cunhada, da prima, ria de quem tropeçava na rua… pense na graça!
Se um dia alguma insanidade do destine me der muito poder, essas pessoas serão esterilizadas
aplaudi de pé! pobre também tem mania de falar dos filhos, parece que não existe outro assunto devido aos problemas cognitivos. já aconteceu várias vezes comigo, quando pobre chega para conversar, só sabe falar dos filhos e doenças, como se alguém quisesse saber! ah, pobre também casa cedo e tem filho cedo. faz tudo cedo.
E quando o pobre te mostra a FOTO dos filhos, que são invariavelmente horríveis? Como dizer “que lindos” quando você pensa “cocôs com olhos” cocôs com olhos!”
O Pobre atual engravida aos 14, casa aos 15 e se separa aos 16. Depois repete o ciclo.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
E, em casos mais extremos, alguns se tornam avós já por volta dos 30…
Uma coisa é que o Pobre™ quer qualquer coisa menos responsabilidade, mas aparentemente não estar em algum relacionamento, principalmente entre as Pobres™ fêmeas, é alguma espécie de status negativo, enquanto estar casada é um status positivo.
Então o ciclo é pegada > ficada > namoro de três meses > casamento > frustração porque o Pobre™ não mudou nada (a Pobre™ esperava que a aliança transformasse o Pobre™ em um homem responsável, marido devotado e pai dedicado quando colocada) > separação > depressão > pegar outro pra provar que está bem.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Puuuta que pariu!!! Acho que sou pobre, estou dando gargalhadas aqui que tá até doendo a barriga! Fantástico! Bem observado! Uma enfatizadinha nos barulhos gostescos ao estilo “Funk carioca” que pobre acha que é música e que ganha poderes de ser “imbatível-alpha” quando escuta! O outro poder é o da ostentação e ser extremamente populista…
Abracetas!
Adoro como o pobre ostenta a coisa errada!
Sally, ontem num terminal de ônibus. Vi um piá com um alargador imenso e imaginei um recém nascido passando por ali.
HAHAHAHAHAHAHAHAHA
Faltou falar da ostentação. Pobre adora ostentar. Ostenta amor fazendo tatuagem. Ostenta felicidade em rede social. Ostenta roupa cafona. Ostenta no outback se achando classe média. Ostenta gosto musical duvidoso.
Mas verdade seja dita, o pobre é engenhoso, faz cada gambiarra que poderia ser estudado pela Nasa.
Também não me senti pobre. Ufa.
Sim, o pobre ostenta errado. Pobre ostenta bolsa comprando Victor Hugo, ostenta bebida comprando Absolut e ostenta celular comprando iphone.
Pobres daqui não merecem ser estudados pela nasa, merecem ser estudados pela psiquiatria, porque ô país pra ter maluco é esse Brasil… a Bahia então… Muita bizarrice que eu vejo todo dia que dá até medo de sair na rua…
Nunca vou esquecer quando, na minha primeira semana em Salvador, vi dois pobres brigando com palitos de churrasco. Um deles enfiou seu palito de churrasco (ainda com algumas carnes na ponta) no rival, que falou um palavrão e foi andando até o hospital com um palito de churrasco (ainda com algumas carnes na ponta) enfiado nas entranhas.
São animalescos.
Quando você [i](naquele “Processa Eu”)[/i] mencionava algo parecido com “maioria de armados precários” você realmente não “estava brincando” !
[b]o.O[/b]Brigando com palitos de churrasco? E no final ainda teve um que foi parar no hospital com um palito cheio de restinhos de carne enfiado nas entranhas? Puta que pariu…
Hahaha essas tristes verdades…
Curioso fone de ouvido não durar na mão de pobre. Os meus todos importados duram até hoje!
O único que tive problema de parar de funcionar de um lado foi um phillips meio vagabundinho que comprei uma vez.
Fui comentar na pressa e esqueci de inserir os dados hehe
O anônimo acima sou eu.
(hehe, ok!)
Ainda tenho um ótimo fone, de loja oficial; mas há uns meses que já quero comprar outro…
Se precisar de dicas, me chame. De fones eu entendo, modéstia a parte. rs
Super indico as marcas Koss, JBL, e Creative.
Muito obrigado, Ge, já ajudou bastante ! (Eu não estava atento nessa três…)
Importado??? Os meus são aqueles baguio de 1.99 hahaha Comigo dura uns meses, basta não ser descuidado.
Moro no subúrbio do RJ, em São Gonçalo, e de 10 pobres daqui, tirando uns 2, o restante é bem assim mesmo como o texto indica, vc falou até pouco!Infelizmente!Esses dias encontrei uma vizinha no ponto de ônibus e ela é a típica pobre, e vi que além de tudo é burra e sem noção também porque a filha estava junto e perguntou sobre a UFF, onde estudo, porque ela está começando a estudar para o enem e considera ir pra lá, e sabe o que a mãe falou? “Ela CISMOU com I S S O agora! Eu fiquei um pouco tonta com a fala dela e tentei, com o pouco de tempo que tive até meu ônibus aparecer, convencer a mulher sobre a importância de um curso universitário para uma adolescente de 17 anos, e falei para menina que era algo que ela tinha que fazer, porque mudaria a perspectiva de vida, visão de mundo… dela.Espero que ela tenha me escutado! Olha são tantas histórias bizarras que conheço, não teria espaço para contar aqui, infelizmente.
Escreve um Desfavor Convidado e conta para a gente! Eu tenho o maior interesse no lado antropológico,acho pobre fascinante!
Nossa, to chorando de rir até agora! Obrigada!
Pantone 479 C e Pantone 476 C foi demais.
O penúltimo parágrafo me lembrou a cena do maravilhoso ”As Branquelas”: https://www.youtube.com/watch?v=Bo5WRFFzdsY
Pantone ainda pode falar, né? Ou já tá proibido também?
Pode. Pelo menos até que os “ofendidos profissionais” descubram do que se trata.
Quase esqueci da minha favorita!
Mas essa, atribuo a um momento único, de um aspecto que os pobres atuais ainda não estão adaptados.
Pobre não pode entrar em um ônibus, que vomita!
Impressionante como pobre gosta de vomitar em ônibus!
Penso que seja um aspecto em que o gene que garante a evolução da espécie estava passando mal, ou batucando em alguma coisa enquanto sacudia o corpo sob o som de monossílabos e esqueceu de dar atenção.
Acompanho com interesse a adaptação da espécie ao transporte publico motorizado, e me pergunto quais os fatores presentes no coletivo possam influir na ânsia de vômito da pobralhada.
Será que eles não bebem antes de entrar?
E tem mais.
Pobre passa mal!
E como passa mal! Impressionante a capacidade de passar mal! Qualquer coisa é passar mal. E, aparentemente, o “passar mal” do pobre é contagioso, pois basta um começar a passar mal que outros também o fazem.
Pobre quando está com fome, não basta expressar que está com fome, tem que estender a mão na sua cara e mostrar que está tremendo de fome! (Pobre ignora a expressão “maneira de dizer”).
Pobre é histérico. Tudo faz que desmaia. Adora “passar mal” para receber atenção ou algum benefício. Mentira, os que sobrevivem são fortes, muito fortes!
Sempre me senti pobre perto dos, digamos, bens materiais dos que me rodeiam, mas acabei de descobrir que não sou hahaha
Uma outra coisa que vale a pena mencionar é o mau gosto musical que parece ser inerente a essa pobreza. Por que o pessoal descrito acima ama funk e música gospel? Isso, junto com as características alegres e ruidosas, é arma de destruição em massa pra quem tiver o azar de conviver.
Pobreza não está na conta bancária não, Paula. Minha conta é pobre, mas minha alma é digna!
Ah, pobres geralmente são lutadores também. Acabei de ler alguns comentários do seu texto “Lesão Corporal” e estou pasma de como o povo briga. Fora que mesmo sendo internet/anônimo, o português denuncia o pobre direitinho.
Sim, tudo termina na porrada. E no dia seguinte os pobres estão amigos novamente, porque pobre bate com a mesma facilidade que perdoa, nunca vi um povo tão sem amor próprio.
Adorei o texto! Não sou tão pobre como pensei (exceto a questão da mãe), ha ha ha…
Pobreza não está na conta bancária!
hahah, eu já comecei a rir pelo título. E tive que procurar quais cores eram o pantone.
Quanto ao furúnculo: dizem que quem come muita carne os tem. E pobre adora um churrascão na laje.
Não acredito que pobre coma muita carne. O churrascão deve ser cheio de linguiças baratas (tem tudo menos carne ali), maionese, arroz, farofa, feijão e, estrelando, uma única peça de alcatra para as 120 pessoas que estão na laje.
Não esqueça da MACARRONESE…
Churrasco de pobre sem macarronese, não existe!
Sim! Por sinal, é uma bacia de macarronese e um cubinho de carne
Macarronese? Ugh!
Olha Leona, eu não sei.
Pobre que sou, aos 15 anos, consegui a proeza de ter cerca de 30 furúnculos num espaço de 1 mês. Algo anormal mesmo, todos numa mesma região do corpo.
Deixei de comer mil coisas, mudei a forma de lavagem da roupa, até que por fim, fui ao médico e ele me receitou um antibiótico bem forte. Fiz uma cacetada de exame de sangue e nada foi apontado…
Enfim, da mesma forma que chegou, foi embora e eu só lidei com as cicatrizes (popularmente chamadas de “reloginho” e “kikito”) por cerca de 2 anos e muito remédio, além de evitar sol na região a todo custo.
seu texto me lembrou de quando eu lia todos os dias o ‘artigo’ sobre pobres no desciclopédia <3 morri de rir
O pobre deveria ser declarado patrimônio cultural do Brasil
Sally, você fará algum spin-off sobre as unhas das pobres?
Acho algo pitoresco a ser citado!
Unha de pobre é algo que me transtorna. Tem que colocar uma radiografia entre seu olho e a unha, tal como se faz em eclipses, para não cegar. A confluência de cores e texturas, aquele acrigel do diabo que fiz artificial e feio, os apliques, os desenhos, os adesivos… Olha, dá para fazer um spin-off só sobre uma pobre arrumada para sair: cabelo, unha, maquiagem, perfume, roupas… Mas acho que os homens não entenderiam nada.
Sally, uma vez, no posto de saúde (financeiramente, sou pobre, é a vida), vi uma que a unha era o decalque da foto dela. Sim, foto dela, na unha. Eu fiquei hipnotizada, juro… nunca vi na vida, absurdo!
Minha Nossa Senhora da Bicicletinha… seus olhos devem ter sangrado
Fiquei horrorizada!
Acrescentando.
Pobre também tem um motorzinho interno, ativado por qualquer percussão, ritmo repetitivo ou sequência ritmada ou não, de monossílabos que faz com que ele “remexa” em qualquer circunstância.
Seja ela no meio da rua, em seu ambiente de trabalho, na fila do banco ou mesmo em um ambiente mais formal (Ambiente formal para pobre, é velório. Até que se sirva ou ele descubra qualquer tipo de alimento).
Encosto de Chacrete. Pobre não pode ouvir um tambor que já começa a dançar. E parecem movidos a energia solar, quanto mais sol e calor, mais ativos ficam. Pobre é uma desgraça.
É uma pena que nem você(s), nem Miguel Fallabela tenham a(s) própria(s) emissora(s)…
Sem mais, bom demais !
(Não me senti tão pobre…hahahahaha)